Vereadora investigada por rachadinha pode enfrentar pedido de afastamento na Câmara de Matinhos após prisão

Regimento Interno prevê Comissão Processante e sessão extraordinária diante da gravidade do caso

A prisão preventiva da vereadora investigada pela CPI da rachadinha em Matinhos abriu um novo capítulo político e jurídico dentro da Câmara Municipal. Além da investigação criminal conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público, o caso agora também pode gerar consequências diretamente no Legislativo municipal.

Conforme análise do Regimento Interno da Câmara de Matinhos, existe fundamentação legal e regimental para que vereadores solicitem:

  • abertura de Comissão Processante;
  • afastamento cautelar da parlamentar;
  • e até eventual cassação do mandato, dependendo do andamento das investigações.

A situação ganhou ainda mais repercussão porque a prisão ocorreu em meio à investigação da chamada CPI da rachadinha, instaurada pela própria Câmara Municipal.

Segundo as investigações, a prisão preventiva teria relação com suposta coação de testemunhas ligadas ao caso.

Regimento prevê medidas em caso de infração político-administrativa

O Regimento Interno da Câmara de Matinhos estabelece que a Casa poderá instaurar Comissão Processante quando houver indícios de infração político-administrativa praticada por vereador.

O texto também prevê que uma CPI pode adquirir caráter processante quando houver configuração de infração cometida por parlamentar.

Outro ponto importante do Regimento determina que cabe ao presidente da Câmara:
“zelar pelo prestígio da Câmara Municipal, pela dignidade e consideração de seus membros.”

Nos bastidores políticos, vereadores avaliam que uma acusação envolvendo suposta intimidação de testemunhas durante investigação parlamentar é considerada extremamente grave, justamente por atingir diretamente a credibilidade da CPI e o funcionamento institucional do Legislativo.

Sessão extraordinária pode ser convocada

O próprio Regimento Interno permite convocação de sessão extraordinária em casos de interesse público urgente e relevante.

Com isso, a Câmara poderá discutir nos próximos dias:

  • eventual admissibilidade de denúncia;
  • criação de Comissão Processante;
  • pedido de afastamento cautelar;
  • e convocação de suplente.

A convocação pode ser feita:

  • pelo presidente da Câmara;
  • pela maioria absoluta dos vereadores;
  • ou pelo prefeito municipal.

Afastamento não é automático

Apesar da repercussão, especialistas apontam que a prisão preventiva não gera perda automática do mandato.

Para que haja cassação, é necessário:

  • processo formal;
  • direito à ampla defesa;
  • contraditório;
  • e votação em plenário.

Por outro lado, o afastamento cautelar pode ser discutido antes da conclusão do processo, principalmente se houver entendimento de que a permanência da parlamentar possa interferir na investigação ou comprometer os trabalhos da CPI.

Nos corredores políticos da cidade, o caso já é tratado como uma das maiores crises institucionais recentes da Câmara de Matinhos.

📍 Fonte: Regimento Interno da Câmara Municipal de Matinhos / Informações públicas do caso

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