Em 13 de agosto de 2025, durante sua participação no AgroForum promovido pelo BTG Pactual em São Paulo, o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), afirmou que o Brasil precisa de “alguém normal” para enfrentar os desafios atuais do país. Segundo ele:
“É tanta loucura, é só ter alguém normal que saiba sentar, montar uma boa equipe, se relacionar com os Poderes, tratar as coisas sérias de forma séria…”
A crítica veio acompanhada de uma referência à postagem da primeira-dama Janja da Silva, que havia publicado em julho um vídeo em que o presidente Lula colhia jabuticabas, com uma mensagem simbólica que acabou se tornando alvo de debates no contexto do “tarifaço” dos EUA.
Ratinho aproveitou para criticar os chamados “políticos Facebook” — aqueles que, segundo ele, conduzem seus mandatos com base em reações de “meia dúzia” nas redes sociais, evitando enfrentar pressões reais.
Contexto do AgroForum: políticas e economia
O comentário surgiu enquanto Ratinho participava do painel “Unindo Forças pelo Agro: Diálogo entre Governadores”, ao lado de seus colegas Ronaldo Caiado (Goiás), Tarcísio de Freitas (São Paulo) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), em uma discussão mediada pelo economista Mansueto Almeida.
Durante sua fala, ele destacou que sua gestão no Paraná apostou em reformas estruturais — administrativa e previdenciária — e em parcerias público-privadas e privatizações como base para construir uma agenda sólida de investimentos.
Ele enfatizou ainda que o estado alcançou a nota Capag A (Capacidade de Pagamento) pela primeira vez desde o Plano Real e que possui mais de R$ 35 bilhões em caixa, com R$ 17 bilhões disponíveis para novos investimentos.
Esses recursos estão sendo aplicados em urbanismo, políticas sociais, infraestrutura, e impulsionaram o crescimento econômico do estado, com geração recorde de empregos formais e crescimento do PIB acima da média nacional.
Agroindustrialização e novas fronteiras econômicas
Ratinho salientou que o Paraná não se resume à exportação de commodities. A meta é fortalecer a agroindustrialização, agregando valor por meio da pesquisa, tecnologia e industrialização local — um passo essencial para gerar empregos e competitividade.
Além disso, destacou que o estado quer se tornar um polo de energia limpa, por meio do biogás e biometano, e até se transformar na “Arábia Saudita da energia limpa”. Ele também mencionou o potencial para exploração sustentável de terras raras, desde que haja regulamentação clara e transferência de tecnologia.
No aspecto comercial, Ratinho apontou que o primeiro trimestre do ano registrou crescimento do PIB acima da média nacional, que se espera uma safra recorde de milho em 2025 e que as exportações do estado somaram US$ 13 bilhões nos primeiros sete meses do ano.
Conclusão
A fala de Ratinho Júnior no AgroForum traz dois recados centrais: por um lado, uma crítica à política baseada em espetáculos e reações imediatistas, defendendo a volta à normalidade, ao diálogo institucional e à gestão responsável. Por outro, a defesa de uma visão de desenvolvimento pautada em planejamento, reformas e uso estratégico dos recursos do estado.
A abordagem faz um contraponto à política focada em redes sociais e enfatiza o papel do Estado como agente de transformação econômica responsável — uma proposta de “nova política” que aposta em resultados pragmáticos, não em palanque ou viralização.



