Muito antes da construção da ponte que ligará Guaratuba a Matinhos sequer ser cogitada, o ferry boat foi a solução encontrada para conectar as duas margens da Baía de Guaratuba e impulsionar o desenvolvimento da região. O sistema de travessia começou a operar em 1960 e, desde então, se tornou parte fundamental da história do Litoral do Paraná.
Um dos personagens mais importantes dessa trajetória é João James de Oliveira Alves, conhecido como Seu Janjão, o primeiro comandante do ferry boat na travessia da baía.
O início da travessia
O primeiro ferry boat que operou na Baía de Guaratuba foi implantado em 1960, durante o governo de Moisés Lupion. A embarcação, chamada Engenheiro Ayrton Cornelsen, era construída em madeira e tinha cerca de 27 metros de comprimento e 10 metros de largura, equipada com dois motores GM de 130 cavalos.
O ferry tinha capacidade para transportar até dez automóveis e um caminhão leve, além de contar com estrutura simples para a tripulação, incluindo sanitário, beliche para descanso e um pequeno espaço para preparo de alimentos.
Na época, Guaratuba ainda enfrentava dificuldades de acesso por terra e a travessia marítima se tornou essencial para moradores, comerciantes e turistas que circulavam pela região.
O comandante que marcou época
Seu Janjão assumiu o comando do ferry quando o serviço foi retomado em 1962, durante o governo de Ney Braga, após manutenção e ajustes na embarcação.
Natural de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, ele chegou ao Litoral do Paraná após receber o convite de um amigo que buscava alguém experiente para comandar o ferry boat.
Segundo ele, a decisão foi imediata.
“Perguntei o que era ferry boat e me disseram que era um barco que atravessava carros de um lado para o outro da baía. Na hora eu aceitei”, relembra.
Durante anos, ele comandou a travessia que se tornaria um símbolo da ligação entre Guaratuba e o restante do Litoral.
Uma travessia que marcou gerações
Ao longo de mais de seis décadas de operação, aproximadamente 40 milhões de veículos já utilizaram o ferry boat para cruzar a Baía de Guaratuba, consolidando o serviço como um dos mais importantes sistemas de transporte do litoral paranaense.
A travessia ajudou a impulsionar o turismo, o comércio e o crescimento urbano da região, especialmente em períodos de alta temporada.
O sonho da ponte
Agora, após décadas de espera, o antigo sonho de uma ligação terrestre definitiva entre Guaratuba e Matinhos está se tornando realidade com a construção da Ponte de Guaratuba.
Para Seu Janjão, que ajudou a escrever a história da travessia, a obra representa um novo capítulo para o Litoral.
Ele acredita que a ponte será fundamental para melhorar a mobilidade, reduzir filas históricas no ferry e estimular ainda mais o desenvolvimento econômico da região.
A expectativa do Governo do Estado é que a nova ponte marque uma transformação histórica na mobilidade do litoral paranaense, conectando definitivamente as duas margens da baía.
📍 Fonte: AEN



