Na manhã de sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, o apresentador do Montanha Talks, Montanha, entrevistou nas redes sociais uma das lideranças dos pescadores locais, Sapo, integrante da família Ramos, uma das mais tradicionais da cidade e reconhecida historicamente como fundadora de Matinhos. Em um bate-papo aberto e franco, diversos temas foram abordados, com destaque para uma questão sensível e essencial: o acesso à água pelos pescadores do Mercado do Peixe.
Antes de tratar do problema em si, é fundamental resgatar o histórico da situação. Segundo o próprio Sapo, desde a fundação de Matinhos os pescadores sempre tiveram acesso à água, condição básica para o exercício da atividade pesqueira e para a dignidade daqueles que ajudaram a construir a cultura e a economia local.
No início de 2025, a Prefeitura de Matinhos foi impedida pelo Tribunal de Contas de realizar pagamentos de contas de água em nome da Colônia dos Pescadores. Esse impedimento gerou apontamentos administrativos que precisaram ser sanados pela gestão do prefeito Eduardo Dalmora para que o município pudesse regularizar suas certidões, condição indispensável para a liberação de investimentos anunciados em 2025 e com continuidade prevista para 2026.
Com a impossibilidade legal de o município arcar com o pagamento, a responsabilidade passou a ser da Colônia dos Pescadores, que assumiu oficialmente as contas de água. Contudo, os pagamentos não foram realizados. Após notificações, a Sanepar não teve alternativa senão cortar o fornecimento e retirar o hidrômetro, situação que ocorreu ainda em 2025. A partir daí, os pescadores passaram a sentir, de forma dura, a ausência de um bem essencial que sempre esteve presente em sua rotina.
A água é um direito fundamental, reconhecido como indispensável à vida e à dignidade humana. No caso dos pescadores — comunidades tradicionais que ajudaram a moldar a identidade cultural do litoral — esse direito ganha ainda mais relevância, seja pelo aspecto social, seja pela importância econômica e histórica da atividade.
Após a live — e é importante frisar que não há qualquer intenção deste portal de reivindicar protagonismo indevido — os fatos que se seguiram ocorreram temporalmente depois da entrevista, podendo ela ter sido causa direta ou não do desfecho que será relatado.
Ao tomar ciência da situação, o prefeito Eduardo Dalmora agiu prontamente, convocando uma reunião com a presença do secretário de Obras Cláudio Amarantes, do diretor de Meio Ambiente Sérgio Cioli, do diretor da Pesca Zico, além de outros poucos envolvidos diretamente na solução do problema. Como encaminhamento objetivo, a Secretaria de Obras encaminhou ofício solicitando a instalação de um ponto de água no local, colocando fim a um impasse que, apesar de tecnicamente simples, se arrastava havia meses.
Trata-se de um golaço da gestão municipal, tanto pela sensibilidade quanto pela agilidade. Um mérito que também passa pela articulação e postura firme de Sapo, que bateu no peito, foi para o diálogo e buscou solução. No fim, quem ganha é a cidade de Matinhos, mostrando que situações complexas podem ser resolvidas quando há vontade política, diálogo e foco no bem comum.
Há, contudo, um ponto de atenção que não pode ser ignorado. A Colônia dos Pescadores já figurou em apontamentos anteriores, inclusive relacionados à não individualização e ao pagamento de IPTU, fatores que também dificultaram a obtenção de certidões no passado. É temerário que esse cenário volte a se repetir. A Colônia precisa de uma diretoria técnica, com noções básicas de administração, capaz de garantir organização, regularidade e sustentabilidade institucional. Na visão deste portal, a gestão atual aparenta fragilidades, o que pode comprometer novamente a entidade.
É exatamente nesse contexto que a relação entre o Mercado do Peixe e os pescadores pode — e precisa — mudar. Há anos essa relação vem se deteriorando, em grande parte por disputas políticas e falta de alinhamento institucional. A Prefeitura deu um passo gigante ao resolver a questão da água e demonstrar disposição para mediar soluções.
Resta agora a reflexão: será possível ver Colônia e Associação caminhando juntas, em prol da mesma causa?
São cenas para os próximos capítulos, que o Montanha Talks seguirá acompanhando de perto.
📍 Fonte: Montanha Talks



