Com a chegada da temporada de verão, um problema recorrente volta a se intensificar no Litoral do Paraná: o aumento significativo de pessoas em situação de rua que passam a se aglomerar em pontos estratégicos da cidade, transformando áreas públicas em “lares temporários” a céu aberto, muitas vezes em plena luz do dia.
Segundo relatos da população, a preocupação não está apenas na presença dessas pessoas, mas principalmente nas consequências geradas pelas ocupações prolongadas. Moradores da região do Flamingo, ao lado do estacionamento da rotatória e do parquinho infantil relatam episódios frequentes de consumo excessivo de álcool, uso de drogas, agressões físicas, cenas de sexo em público e, em situações mais graves, ameaças e agressões com faca, já presenciadas por quem vive ou circula pelo local.
Esses episódios têm provocado uma sensação constante de insegurança, tanto para moradores quanto para turistas, além de constrangimento e medo, especialmente para famílias que utilizam esses espaços durante o dia.
É inegável que o tema envolve dignidade humana, direito de ir e vir e políticas públicas de acolhimento. No entanto, conforme destacam moradores, é inconcebível que a população seja obrigada a conviver com ambientes degradados, promíscuos e violentos em áreas centrais e turísticas da cidade.
A Prefeitura de Matinhos tem avançado na área social. Nos últimos meses, CRAS e CREAS foram reestruturados, ampliando a capacidade de atendimento, acolhimento e encaminhamento dessas pessoas para tratamento, abrigo e acompanhamento social. Diante disso, moradores reforçam que não procede a alegação de ausência de alternativas ou de falta de apoio do poder público.
Especialistas e moradores defendem que ações periódicas de abordagem social e ordenamento urbano sejam intensificadas, com o objetivo de dissuadir a permanência prolongada em espaços públicos, orientando essas pessoas a buscarem atendimento nos locais adequados, onde possam ser assistidas de forma digna e segura.
Outro ponto crítico é a questão sanitária e ambiental. Em razão da vulnerabilidade, muitos grupos não conseguem manter hábitos básicos de higiene, o que resulta em acúmulo de lixo, restos de alimentos, embalagens, garrafas e até excrementos, contribuindo para a degradação dos espaços e ampliando riscos à saúde pública.
O tema exige um debate sério, equilibrado e responsável, envolvendo poder público, sociedade civil, setor social e forças de segurança. Garantir dignidade a quem precisa não pode significar retirar o direito da população à segurança, à civilidade e ao uso adequado dos espaços públicos.
A cidade precisa avançar em soluções que protejam direitos fundamentais, mas que também assegurem ordem, segurança e qualidade de vida para moradores e visitantes, especialmente em um período sensível para o turismo e para a economia local.
📍 Fonte: Montanha Talks



