Durante a sessão da Câmara de Vereadores realizada no dia 02 de março, o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos de Matinhos (SISMMAT), André Matsuzaki, apresentou os resultados de uma ampla pesquisa realizada com servidores municipais ativos e aposentados.
O levantamento teve como objetivo avaliar problemas estruturais, condições de trabalho, saúde ocupacional e fortalecer o diálogo institucional, além de subsidiar políticas públicas voltadas à valorização do servidor.
De acordo com o material apresentado pelo sindicato, participaram da pesquisa 217 servidores ativos e 32 aposentados, representando diversas secretarias do município.
Auxílio alimentação é ponto central de insatisfação
Um dos dados que mais chamou atenção foi o nível de insatisfação em relação ao auxílio alimentação.
Atualmente:
Servidor do Executivo recebe R$ 462,00
Servidor do Legislativo recebe R$ 1.420,00
O resultado foi expressivo:
89,2% totalmente insatisfeitos
10,8% insatisfeitos
0% satisfeitos
O sindicato defende a equiparação gradual em até dois anos, com correção inflacionária automática anual e realização de estudo de impacto financeiro com transparência.
Segundo o SISMMAT, a valorização do auxílio impacta diretamente no comércio local, na saúde do servidor e na busca por maior isonomia.
Descontos na folha geram questionamentos
Outro ponto apresentado diz respeito a descontos considerados prejudiciais aos servidores, como:
Incidência de insalubridade nas férias (conforme entendimento jurídico do sindicato);
Descontos em licença para tratamento de saúde acima da margem do servidor;
Perda de abono mesmo com apresentação de atestado médico.
Foi exibido exemplo de holerite de servidor em licença saúde, evidenciando redução significativa na remuneração.
Falta de capacitação é preocupação recorrente
A pesquisa apontou que:
91% dos servidores afirmam não receber capacitação adequada
Apenas 9% relatam receber formação profissional
O sindicato destacou que as próprias leis municipais exigem cursos para progressão funcional, como:
Lei Municipal 2358/2022 (Quadro da Saúde) – mínimo de 60 horas
Lei Municipal 2527/2023 (Quadro Geral) – mínimo de 30 horas no triênio
Mesmo assim, segundo o levantamento, a capacitação não tem sido ofertada de forma regular.
“Capacitação não é gasto. É investimento com retorno institucional”, reforça o documento apresentado.
Saúde mental acende alerta
Os dados sobre saúde mental também chamaram atenção:
49,3% já sentiram esgotamento profissional ou estresse severo
23,9% relatam que isso ocorre frequentemente
19,4% raramente
Apenas 7,4% afirmam nunca ter vivenciado
Na prática, mais de 92% já passaram por algum nível de esgotamento profissional, indicando necessidade de medidas estruturais e institucionais voltadas à prevenção e cuidado com o servidor.
Estrutura e condições de trabalho
A pesquisa avaliou ainda:
Estrutura física
Material de trabalho
Disponibilidade de EPI
Chefia imediata
Em todos os quesitos, parte significativa dos participantes classificou como “regular” ou que “precisa de melhora urgente”, reforçando a necessidade de investimentos e planejamento estrutural.
Proposta institucional conjunta
Ao final da apresentação, o SISMMAT propôs uma agenda institucional conjunta com a Câmara de Vereadores, incluindo:
Criação de Comissão Técnica Permanente
Plano Municipal de Valorização do Servidor
Plano Anual de Capacitação Institucional
Programa Municipal de Saúde do Servidor
Plano de Melhoria Estrutural
A apresentação encerrou com o convite ao diálogo entre Legislativo, Executivo e sindicato.
📍 Fonte: SISMMAT – Pesquisa apresentada na Câmara de Vereadores de Matinhos em 03/03/2026



