Entre o discurso anticrime e entregas limitadas, Sergio Moro volta ao centro do debate ao flertar com novo salto político em 2026
Eleito senador pelo Paraná, Sergio Moro (União-PR) construiu seu capital político em cima da bandeira anticorrupção e do combate ao crime organizado. Mas, passados os primeiros anos de mandato, cresce a avaliação de que os avanços concretos diretamente associados ao Paraná ainda são modestos — e o tema ganha força porque o senador é citado como potencial candidato em 2026, o que poderia interromper o mandato no Senado caso seja eleito para outro cargo.
O que Moro entregou — e o que ficou aquém
No Senado, a atuação de Moro aparece muito ligada à agenda de segurança pública e endurecimento penal. Em pronunciamentos, ele costuma listar propostas para enfrentar crime organizado e narcotráfico, citando projetos como o PL 3.786/2021 (narcocídio) e o PL 5.510/2023, de autoria dele, dentro dessa pauta.
Na prática legislativa, porém, o volume de iniciativas e o ritmo de resultados viraram ponto de crítica. Na página oficial de proposições do parlamentar, constam, por exemplo, 14 Projetos de Lei e 55 PECs atribuídos a ele (além de dezenas de requerimentos e recursos), o que não significa aprovação automática — e grande parte segue em tramitação.
Um dos principais marcos concretos recentemente associados ao nome do senador foi a tramitação do PL 1.307/2023, que acabou transformado na Lei 15.245/2025, alterando o Código Penal e legislação conexa para tratar de associação criminosa, ampliar proteção a agentes públicos e tipificar condutas de obstrução contra ações de combate ao crime organizado.
Portal da Câmara dos Deputados
Mesmo assim, críticos apontam que a entrega para o Paraná, no sentido de políticas públicas, investimentos e resultados locais diretos, é menos visível do que a força do discurso que o elegeu.
“Deixar pela metade”: magistratura, governo e agora o Senado no radar
Além do debate sobre entregas, Moro carrega um histórico que alimenta a narrativa de “abandono de missão”:
Saída da magistratura durante a Lava Jato (2018): Moro pediu exoneração da Justiça Federal para assumir como ministro no governo Bolsonaro; o próprio TRF-4 registrou o ato de exoneração.
Tribunal Regional Federal da 4ª Região · 1
Saída do Ministério da Justiça no meio do governo (2020): Moro deixou a pasta em abril de 2020, antes do fim do mandato presidencial, alegando interferência política na Polícia Federal; o episódio repercutiu amplamente, inclusive no Senado e na Agência Brasil.
Possível nova mudança em 2026: em meio às articulações eleitorais, Moro tem sido citado como nome para o Governo do Paraná. Reportagem da Gazeta do Povo registra que, segundo lideranças partidárias, ele estaria “no meio do mandato” e ainda assim buscaria disputar 2026, o que reforça o debate sobre uma nova transição antes de concluir o período para o qual foi eleito.
Gazeta do Povo
Na prática, o ponto central é simples: se Moro disputar um cargo do Executivo e vencer, o mandato de senador tende a ser interrompido, reforçando a crítica de que o Paraná pode ficar novamente “no meio do caminho” em termos de representação e continuidade.
O que vem agora: próximos passos no tabuleiro de 2026
Nos bastidores, os próximos movimentos que devem definir o rumo do senador são:
Definição partidária e alianças no Paraná, especialmente com federações e chapas majoritárias para 2026 (e o nível de apoio real que ele conseguirá consolidar).
Sinalização pública sobre permanência no Senado: se ele vai priorizar concluir o mandato, ou se vai assumir o risco político de buscar um novo cargo.
Balanço de entregas: quanto mais o debate eleitoral se aproxima, mais a cobrança tende a migrar de “discurso” para resultado mensurável — especialmente em temas sensíveis ao Paraná como segurança, infraestrutura, saúde regional e impacto econômico.
Fonte: Senado Federal / Câmara dos Deputados / Gazeta do Povo / Agência Brasil / TRF-4 / El País



