O litoral do Paraná é uma joia natural e, ao mesmo tempo, uma ferida aberta no mapa do desenvolvimento brasileiro. Dono de uma das costas mais preservadas do país, reconhecida internacionalmente pela Unesco e pela sua biodiversidade única, o litoral paranaense também carrega o peso de ser um dos menos habitados e menos desenvolvidos do Brasil.
Mas esse cenário começa, enfim, a mudar. Sob a gestão do governador Ratinho Júnior, o litoral vive uma revolução silenciosa — um conjunto de obras e investimentos que tenta resgatar décadas de abandono e transformar a região em um novo polo de progresso, turismo e integração logística.
Ainda assim, o contraste permanece: há avanços concretos, mas também entraves políticos, ambientais e ideológicos que impedem o litoral de alcançar o desenvolvimento que já chegou a outras regiões do país.
A costa mais bonita e menos habitada do Brasil
De acordo com o Censo 2022, os sete municípios do litoral paranaense somam apenas 301 mil habitantes — menos que um único bairro de Curitiba. Em comparação, a Baixada Santista (SP) reúne quase 1,9 milhão de pessoas, e o litoral catarinense ultrapassa 5 milhões de habitantes em sua faixa costeira.
Enquanto Guaraqueçaba amarga a menor densidade do país com 3,69 habitantes por km², cidades como Pontal do Paraná e Matinhos vivem uma realidade de sazonalidade extrema: lotadas no verão e esvaziadas no inverno.
Esse cenário é reflexo direto de falta de infraestrutura, ausência de planejamento urbano e décadas de negligência política. Rodovias precárias, saneamento insuficiente e acesso limitado a serviços públicos básicos criaram uma barreira invisível ao crescimento populacional permanente.
A revolução de Ratinho Júnior: o Paraná, enfim, volta os olhos ao mar
O atual governo estadual tem promovido o maior pacote de obras da história do litoral paranaense — um esforço inédito para integrar a região ao restante do estado. Segundo dados oficiais, já são mais de R$ 1,7 bilhão investidos em infraestrutura, transporte, turismo e urbanismo.
Principais obras e investimentos
| Obra | Descrição | Investimento aproximado | Situação |
|---|---|---|---|
| Ponte de Guaratuba | Ligará definitivamente Guaratuba a Matinhos | R$ 387 milhões | Em execução – cerca de 70% concluída |
| Duplicação da PR-412 (Matinhos–Praia de Leste) | 14 km de duplicação com pavimento de concreto | R$ 274 milhões | Em andamento |
| Duplicação PR-412 (Garuva–Guaratuba) | Ligação com SC e BR-101 | R$ 365 milhões | Em licitação |
| Revitalização da Orla de Matinhos | Engorda de areia, drenagem e urbanização completa | R$ 354 milhões | Em execução |
| Revitalização da Orla de Pontal do Paraná (1ª fase) | Ciclovia, quiosques e calçamento em 3,6 km | R$ 34,5 milhões | Iniciada em 2025 |
| Pavimentação nos sete municípios | Programa “Asfalto Novo, Vida Nova” | R$ 150 milhões | Anunciado em set/2025 |
| Aeroporto de Guaratuba | Ampliação e adequação para turismo e aviação executiva | R$ 33 milhões | Projeto em andamento |
| Mercado Municipal de Paranaguá (anexo) | Revitalização e modernização do mercado de peixes | – | Licitação em curso |
| Ponte da Ilha dos Valadares (Paranaguá) | Conexão definitiva com o continente | – | Inaugurada em 2024 |
Essas obras são marcos de um governo que decidiu romper com o imobilismo histórico e tratar o litoral como parte viva do Paraná — não como quintal distante.
Como disse o próprio governador em recente pronunciamento:
“O litoral é o nosso novo horizonte de desenvolvimento. Vamos transformar a beleza natural em prosperidade para o povo paranaense.”
Mas ainda há um longo caminho
Apesar dos avanços, a revolução de Ratinho Júnior ainda não é suficiente para reverter décadas de atraso.
As obras físicas existem, mas a transformação social e demográfica ainda não chegou.
Atração de famílias e empregos fixos ainda é baixa;
Turismo é majoritariamente sazonal;
Saneamento básico segue precário em várias áreas;
E a burocracia ambiental continua travando projetos importantes, como ocorreu no caso do Parque do Tabuleiro em Matinhos, onde o Ministério Público impediu a instalação de empreendimentos que poderiam gerar empregos e arrecadação.
Enquanto isso, cidades vizinhas de Santa Catarina — como Balneário Camboriú, Itapema e Itajaí — se tornaram referências de urbanismo, turismo e qualidade de vida, mesmo com desafios ambientais semelhantes.
Goura e o impasse político-ideológico
No centro dessas disputas, surge o nome do deputado estadual Goura (PDT) — um político que se apresenta como defensor do meio ambiente, mas que, na prática, tem sido visto por muitos prefeitos e empreendedores como um dos principais obstáculos ao desenvolvimento do litoral paranaense.
Recentemente, Goura criticou publicamente projetos estruturantes, como a redução do Parque do Tabuleiro, argumentando que obras desse tipo ferem o meio ambiente e favorecem especulação imobiliária.
Por outro lado, o deputado defende pautas legítimas:
Apoia cicloturismo e rotas sustentáveis;
Trabalha pela regularização fundiária de comunidades tradicionais;
E comemora projetos como a reativação do Morro do Escalvado, em Matinhos, como área de ecoturismo.
Mas a postura de bloqueio sistemático a empreendimentos privados e parcerias público-privadas é criticada por quem acredita que preservar não é o mesmo que paralisar.
“É preciso equilíbrio entre o verde e o progresso. O litoral do Paraná não pode ser refém de ideologias nem de falsas bandeiras ambientais”, diz Montanha Talks.
Preservação não é sinônimo de estagnação
Ninguém discute que o litoral paranaense é uma dádiva natural. Mas manter o povo pobre e sem oportunidades não é política ambiental — é descaso social.
É possível sim conciliar conservação, turismo sustentável e investimento. Ratinho Júnior demonstra que há vontade política e que o estado pode crescer respeitando suas florestas e suas pessoas.
O que falta é continuidade, coragem administrativa local e o fim da visão ideológica que separa “preservar” de “desenvolver”.
🗣️ Posição editorial – Montanha Talks
O Montanha Talks reconhece o mérito do governo Ratinho Júnior em finalmente olhar para o litoral e tirar do papel obras que há décadas só existiam em promessas.
Mas também alerta: nenhuma ponte, estrada ou orla será suficiente se não houver políticas de moradia, geração de emprego e atração de famílias para viver aqui o ano inteiro.
O litoral do Paraná pode e deve ser exemplo nacional de desenvolvimento sustentável, mas isso exige cooperação e menos ideologia.
Enquanto o estado investe, parte da política insiste em travar.
E, no meio disso tudo, quem paga a conta é o povo.
Redação: Montanha Talks – Informação com credibilidade!



