Servidores da saúde questionam cumprimento da Lei 1.165/2008 após mudança na jornada em Matinhos

Memorando interno altera escalas, extingue plantões de 24h e reacende debate sobre folgas e carga horária

Servidores da área da saúde de Matinhos voltaram a questionar a jornada de trabalho aplicada pelo município após a circulação de um memorando interno da Secretaria de Saúde, que determina mudanças nas escalas a partir de maio de 2026.

O documento estabelece, entre outros pontos, a extinção dos plantões de 24 horas e a adoção de novos formatos de escala, como 12×36, 12×60 e carga horária mensal fixa, além de condicionar a concessão de folgas ao cumprimento integral da carga horária mensal.

A medida reacendeu o debate sobre o cumprimento da Lei Municipal nº 1.165/2008, especialmente no que diz respeito ao direito ao descanso dos profissionais da saúde.

O que muda com o novo memorando

De acordo com o documento interno:

  • Plantões de 24 horas deixam de ser permitidos;
  • Escalas passam a seguir modelos como:
    • Técnicos de enfermagem: 12×36 (200h mensais)
    • Médicos: 12×36 (160h mensais)
    • Enfermeiros: 12×60 (30h semanais)
    • Serviços gerais: 12×36 (200h mensais)
  • A concessão de folgas fica vinculada ao cumprimento da carga horária mensal.

Segundo a administração, a medida tem como objetivo preservar a saúde dos servidores, melhorar o atendimento e adequar a gestão às diretrizes de eficiência pública.

Onde entra a Lei 1.165/2008

O ponto central da discussão está na interpretação do artigo 35 da Lei nº 1.165/2008, que trata das escalas em serviços essenciais e ininterruptos, como a saúde.

A legislação prevê a possibilidade de escalas diferenciadas, como:

  • 12h de trabalho por 24h, 36h ou 48h de descanso
  • 24h de trabalho por 72h de descanso

Além disso, há entendimento — defendido por parte dos servidores — de que a lei assegura períodos mínimos de descanso, incluindo folgas mensais obrigatórias.

Divergência de interpretações

Do lado dos servidores, a crítica é de que a nova organização pode, na prática, resultar em redução de folgas, contrariando o que seria garantido pela legislação municipal.

Do lado da Prefeitura, o entendimento é de que:

  • A lei permite flexibilização por escala;
  • O mais relevante é o cumprimento da carga horária total;
  • A reorganização visa tornar o sistema mais eficiente e seguro.

Debate ganha força nas redes

A discussão também ganhou repercussão nas redes sociais, com publicações apontando possível descumprimento da legislação e até hipóteses de irregularidade administrativa.

No entanto, especialistas ouvidos informalmente apontam que afirmações categóricas de ilegalidade exigem análise técnica aprofundada, já que a própria lei prevê diferentes formas de escala, o que abre margem para interpretações.

Um ponto importante: a prática da escala

Um comentário de profissional da área, também compartilhado nas redes, levanta um ponto relevante:

“Se for aplicada rigorosamente a escala de 24h por 72h, as folgas naturalmente seriam respeitadas. O problema é que, na prática, existem limitações de disponibilidade de profissionais, o que leva a ajustes na escala.”

Esse tipo de situação evidencia um desafio comum na saúde pública: conciliar a legislação com a realidade operacional, especialmente diante da falta de profissionais em determinados horários ou especialidades.

Análise técnica: lei x gestão operacional

Do ponto de vista jurídico e administrativo:

  • A lei municipal tem hierarquia superior ao edital e atos internos;
  • Porém, se a lei permitir escalas flexíveis, a gestão pode regulamentar a aplicação prática;
  • O ponto crítico está em saber se há redução indevida de direitos ou apenas reorganização da jornada.

Possíveis desdobramentos

Caso o impasse continue, o tema pode avançar para:

  • Revisão administrativa interna;
  • Atuação de sindicatos ou entidades representativas;
  • Eventual análise por órgãos de controle ou Judiciário, se houver questionamento formal.

O impacto real

Enquanto o debate jurídico segue, o reflexo imediato aparece no dia a dia:

  • Profissionais relatam cansaço e sobrecarga;
  • A gestão busca manter o funcionamento contínuo das unidades;
  • A população depende diretamente do equilíbrio entre esses dois pontos.

📍 Fonte: QAP Litoral Notícias 2 e denúncias recebidas pelo Montanha Talks

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