Veículos “pegam fogo” com frequência na BR -277 e 376: por que tantos casos?

Incêndios em caminhões e bloqueios constantes levantam questionamento sobre manutenção, segurança e infraestrutura das rodovias

Nos últimos meses, motoristas que trafegam entre Curitiba, Litoral do Paraná e Santa Catarina têm testemunhado um aumento expressivo de casos de veículos — especialmente caminhões — que pegam fogo repentinamente ou após colisões nos trechos da BR-277 e BR-376.

O fenômeno tem causado interdições, filas quilométricas e, principalmente, preocupação sobre a segurança de quem utiliza as rodovias diariamente.

O caso mais recente: incêndio em veículo na BR-277 em Morretes (16/11)

Na tarde de ontem, 16 de novembro, um veículo pegou fogo no km 29,75 da BR-277, em Morretes, sentido Curitiba.

Segundo informações divulgadas pelo Comunica Matinhos, a rodovia precisou ser interditada totalmente para atuação das equipes da concessionária, que utilizaram caminhão-pipa para conter as chamas.

O incêndio gerou lentidão e aumento do risco na região, reforçando o padrão de ocorrências que se repetem ao longo de 2024 e 2025.

Casos semelhantes vêm se repetindo ao longo do ano

Além do episódio de ontem, diversos outros incêndios envolvendo caminhões ocorreram recentemente:

  • 12 de novembro/2025 — BR-376 (Guaratuba): carreta, caminhão-baú e uma van colidiram; ambos veículos de carga pegaram fogo. Resultado: 1 morto e 14 feridos.

  • 6 de novembro/2025 — BR-277 (Serra da Esperança): caminhão pega fogo e bloqueia parte da pista.

  • 22 de agosto/2025 — BR-277 (Morretes): caminhão incendeia no km 38 e causa grande retenção.

Os números mostram a gravidade

Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal e levantamentos divulgados em 2024 e 2025:

  • O trecho Curitiba–Garuva da BR-376 registrou 205 acidentes entre janeiro e setembro de 2024 (alta de 8% em relação ao ano anterior).

  • No mesmo período, o número de feridos saltou de 184 para 219 (+19%).

  • Em 2025, até outubro, já eram 26 mortes e 383 ocorrências no trecho.

Embora nem todos os registros envolvam incêndio, o padrão de veículos de carga que queimam após colisões é notório.

Por que tantos veículos estão “pegando fogo”?

Ainda não há resposta oficial, mas especialistas apontam fatores possíveis:

1. Superaquecimento em trechos de serra

A descida da serra exige frenagem constante, elevando drasticamente a temperatura dos sistemas de freio, motor e pneus.

2. Manutenção insuficiente em caminhões

Falhas mecânicas ou elétricas podem gerar faíscas que rapidamente se transformam em incêndio — especialmente com carga.

3. Impactos de colisões

Grande parte dos incêndios acontece após tombamentos ou engavetamentos (como no caso da BR-376).

4. Obras e estreitamento de pista

A combinação de fluxo intenso + pista reduzida aumenta a chance de colisões.

As perguntas que ficam

  • Por que os incêndios têm se tornado tão frequentes nesses trechos?

  • Os veículos pesados que trafegam pela região estão passando por manutenção adequada?

  • A pista e as estruturas de escape presentes são suficientes para o volume de caminhões que descem diariamente para o litoral?

  • A fiscalização está sendo eficaz?

  • É possível adotar medidas imediatas para evitar novos casos?

A comunidade, motoristas e autoridades agora cobram respostas — e ações.

📍 Fonte: Comunica Matinhos / PRF / Concessionárias / CBN Curitiba 

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