O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi confirmado nesta sexta-feira (5) como o nome que representará o bolsonarismo na eleição presidencial de 2026. A decisão foi chancelada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje preso e inelegível, e comunicada publicamente pelo próprio Flávio em postagem na rede X e por dirigentes do PL.
Com isso, chega a um desfecho – ao menos por ora – a disputa interna que se arrasta há meses dentro da direita e do campo bolsonarista em torno de quem herdaria o espólio eleitoral do ex-chefe do Executivo nas próximas eleições presidenciais.
Do colapso da candidatura Bolsonaro ao vácuo na direita
Desde que Jair Bolsonaro foi declarado inelegível pela Justiça Eleitoral em 2023, por ataques ao sistema eleitoral e disseminação de desinformação, passou a existir um vácuo de liderança formal na extrema-direita brasileira, ainda que o ex-presidente mantivesse forte influência sobre sua base.
A situação se agravou em 2025, com a condenação de Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, após a derrota nas eleições de 2022. A pena em regime inicialmente fechado e a proibição de concorrer até 2060 empurraram definitivamente o bolsonarismo para a necessidade de um sucessor, alguém capaz de unificar o eleitorado conservador e de extrema direita em 2026.
Nesse cenário, o debate deixou de ser se haveria um “candidato bolsonarista” em 2026 e passou a ser quem conseguiria ocupar esse lugar com o aval da família Bolsonaro.
Tarcísio, Michelle, Eduardo e outros: a dança das alternativas para 2026
Ao longo de 2024 e 2025, diferentes nomes circularam como potenciais representantes do campo bolsonarista:
• Michelle Bolsonaro apareceu forte em pesquisas, especialmente entre o eleitor evangélico e conservador, chegando a figurar em cenários de segundo turno contra Lula.
• Eduardo Bolsonaro, além de governadores como Romeu Zema (Novo-MG), Ratinho Jr. (PSD-PR) e Ronaldo Caiado (União-GO), também circularam como alternativas.
Apesar de Tarcísio ser apontado como o nome com maior potencial de unificar direita e centro-direita, havia resistência dentro do núcleo mais ideológico do bolsonarismo, que temia a “diluição” da marca política construída por Jair Bolsonaro.
Flávio entra no jogo e disputa o “espólio” do pai
Paralelamente, Flávio Bolsonaro passou a intensificar seus movimentos em Brasília, articulando com lideranças partidárias e deixando claro que queria ser o herdeiro direto do projeto político do pai. Análises de cientistas políticos já o tratavam como o “nome mais provável” para assumir a candidatura bolsonarista, destacando sua atuação discreta, porém influente, no Senado — especialmente no diálogo com o Centrão. Ao mesmo tempo, decisões recentes do ministro Alexandre de Moraes, no âmbito das investigações sobre tentativa de golpe, aumentaram a pressão para que o grupo definisse logo um nome.
O dia da escolha: 5 de dezembro de 2025
Na manhã desta sexta-feira (05/12), o jogo virou de vez. Em postagem na rede X, Flávio Bolsonaro anunciou que Jair Bolsonaro o escolheu para representar o grupo na disputa presidencial de 2026, falando em “missão” e em continuidade do “projeto nacional” iniciado em 2018.
Pouco depois, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, confirmou que o ex-presidente — mesmo preso — havia indicado o filho como o nome do partido para concorrer ao Planalto.
Segundo a imprensa, a decisão foi comunicada durante visita da família à sede da Polícia Federal em Brasília, onde Jair Bolsonaro cumpre pena.
Flávio, que já vinha defendendo o pai e denunciando “perseguição política”, passa agora a ser a face institucional do bolsonarismo na corrida presidencial.
E agora? Os desafios do candidato bolsonarista
A confirmação de Flávio como candidato abre uma nova fase na política brasileira, mas traz desafios importantes:
• Unificar a direita — que pode insistir em outros nomes como Tarcísio, Zema ou Caiado.
• Carregar o legado e os escândalos do pai, incluindo condenações e investigações por tentativa de golpe.
• Ampliar a base para além do núcleo radical, dialogando com centro e centro-direita, hoje mais simpáticos a Tarcísio.
Mesmo com os obstáculos, a escolha marca o Bolsonarismo 2.0: menos centrado em Jair como candidato e mais estruturado como projeto de família e grupo, com Flávio à frente da disputa presidencial de 2026.
📍 Fonte: agências internacionais (AP, Reuters) e imprensa brasileira (CNN Brasil, Veja, Folha, entre outros).



