Devaneio do Montanha: “E o dia que a chuva levou (de novo)”

Reflexão sobre eventos cancelados pela chuva e a necessidade de um centro de eventos coberto em Matinhos

Mais um feriado.
Mais um show.
E mais uma vez… chuva.

É quase como um roteiro repetido: cidade animada, ambulantes preparados, famílias separando a melhor roupa, visitantes chegando empolgados… e aí o céu fecha, as nuvens se juntam e pluft: tudo desmorona em minutos.

A gente fica procurando culpados.
Será falta de planejamento?
Será que São Pedro não gosta de Matinhos?
Ou será apenas a velha e conhecida imprevisibilidade climática dos trópicos que insiste em nos lembrar que, aqui, nada é garantido?

Mas a real é simples: independente da resposta, quem perde é sempre a cidade.
Perdem os ambulantes.
Perde o comércio.
Perde o público.
Perde Matinhos.

E aí surgem as perguntas de sempre:
“Devia ter sido na quinta?”
“A prefeitura não se preparou?”
“Quem paga o prejuízo?”

Perguntas legítimas, claro. Mas que, no fundo, não resolvem nada. Elas nos fazem olhar para trás. Só que o futuro — e as soluções — não estão lá.

Então vamos olhar pra frente.

Desde que a rotatória foi revitalizada com asfalto e iluminação, ela virou um dos melhores espaços para eventos do litoral inteiro. Aberta, ampla, bonita, estratégica. É um dos cartões de visita da cidade.
Mas tem um detalhe que não conseguimos ignorar: não é coberta.

E é aí que o devaneio vira reflexão.

Todas as cidades que vivem de eventos de forma consistente têm um centro de eventos coberto.
Não precisa ser um mega galpão.
Não precisa cobrir a rotatória inteira.
Mas um espaço protegido, fixo, com estrutura básica, banheiros, pontos de apoio… um lugar onde as pessoas possam dizer:
“Vai ter evento? Então eu vou, porque sei que não vai ser cancelado por chuva.”

Matinhos não tem a orla da Guaratuba.
Não tem o charme selvagem da Ilha do Mel.
O que Matinhos tem — e tem cada vez mais — são eventos.
E eventos movimentam a economia.
Eventos preenchem a baixa temporada.
Eventos trazem vida, cultura, gente, consumo e projeção.

E é duro demais ver tudo isso ser destruído em cinco minutos de temporal.

Fazendo uma conta simples:
se uma estrutura coberta custasse 10 milhões, e a cidade realizasse 20 eventos por ano, só com o que se gasta alugando tendas esse investimento se pagaria em pouco tempo.
E mais importante: se pagaria no sorriso do ambulante, no turista dizendo que valeu a pena, na família que vive a experiência completa — sem cancelamento de última hora.

Dói ver o povo se arrumando, se animando, se organizando…
e voltando para casa de mãos abanando.

Dói porque poderia ser diferente.

E aí eu te pergunto:
Será que não está na hora de Matinhos ter, de fato, um centro de eventos coberto?
Ou você acha que isso não resolveria o problema?

Comente aí — porque esse devaneio é nosso.
É da cidade.
É de quem quer ver Matinhos perdendo menos oportunidades e colhendo mais resultados.

📍 Fonte: Montanha – Daniel Parras

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