Após retornar da missão humanitária na Venezuela, o tenente-coronel Ícaro Gabriel Greinert, comandante da equipe do Corpo de Bombeiros do Paraná, descreveu a dimensão da tragédia causada pelo terremoto que atingiu o país. Segundo ele, nenhum treinamento é capaz de preparar completamente uma equipe para o cenário encontrado nas áreas devastadas.
“Nada do que treinamos é igual ao que vimos lá”, afirmou o oficial ao relembrar os dias de trabalho em meio aos escombros deixados pelo desastre.
O Corpo de Bombeiros do Paraná integrou uma força-tarefa brasileira formada por aproximadamente 80 profissionais, reunindo equipes do Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Defesa Civil Nacional e outros órgãos especializados em operações de busca e salvamento.
A missão chegou à Venezuela ainda nas primeiras 72 horas após o terremoto, período considerado decisivo para aumentar as chances de encontrar sobreviventes.
Cenário de destruição impressionou os socorristas
Segundo Greinert, a realidade encontrada superou qualquer simulação realizada durante os treinamentos.
De acordo com o comandante, os bombeiros se depararam com edifícios de grande porte completamente destruídos, centenas de pessoas feridas e vítimas presas sob toneladas de concreto.
“O primeiro momento é até para processar aquilo que está acontecendo. Eram prédios de 10, 12 e até 15 andares completamente no chão, muitas pessoas machucadas, gente pedindo ajuda e muitos corpos entre os escombros”, relatou.
Operação seguiu protocolos internacionais
As equipes brasileiras atuaram seguindo os protocolos internacionais de busca e resgate coordenados pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Mesmo diante das constantes réplicas do terremoto, o foco permaneceu na localização de vítimas com vida, trabalho considerado extremamente arriscado devido à instabilidade das estruturas atingidas.
Durante a missão, a força internacional participou do resgate de 14 pessoas encontradas vivas sob os escombros e permaneceu na Venezuela por 13 dias auxiliando também na retirada de corpos em áreas de difícil acesso.
Caso de criança marcou operação
Um dos momentos mais emocionantes da missão ocorreu durante a tentativa de resgatar uma criança que ainda apresentava sinais de vida sob uma estrutura destruída.
Segundo o comandante paranaense, a equipe conseguiu ouvir pequenos ruídos durante horas, mas a complexidade da operação impediu que o resgate fosse concluído a tempo.
Infelizmente, os sinais cessaram antes que os socorristas conseguissem alcançar a vítima.
Bombeiros receberão acompanhamento psicológico
Após o retorno ao Brasil, todos os integrantes da missão passarão por acompanhamento psicológico e avaliações de saúde.
Segundo Greinert, a experiência servirá para aperfeiçoar protocolos, equipamentos e treinamentos do Corpo de Bombeiros do Paraná, fortalecendo a capacidade de resposta da corporação tanto em grandes desastres no Brasil quanto em futuras missões internacionais.
O comandante também destacou que a rapidez no deslocamento das equipes especializadas continua sendo um dos fatores mais importantes para salvar vidas em grandes tragédias.
“Quanto mais cedo chegamos ao local do desastre, maiores são as chances de encontrar pessoas vivas”, concluiu.
Fonte: Portal Nosso Dia



