Menos de 48 horas após receber alta, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a ser internado no Hospital DF Star, em Brasília, após apresentar um novo quadro de soluços persistentes, vômitos em jato e queda da pressão arterial. A internação aconteceu na noite desta terça-feira (17), e o motivo foi considerado uma emergência médica.
Segundo o boletim médico atualizado nesta quarta-feira (18), Bolsonaro segue com quadro de anemia e alteração na função renal, o que acende o alerta da equipe médica responsável. Após receber hidratação e tratamento medicamentoso, o ex-presidente apresentou sinais de melhora, mas permanece sob observação e fará novos exames ao longo do dia para decidir se continuará hospitalizado.
De acordo com o senador Flávio Bolsonaro, seu pai ficou dez segundos sem respirar após o diafragma travar, o que causou um intenso vômito a jato. Foi então que Michelle Bolsonaro o colocou no carro e o levou ao hospital, acompanhada da equipe de monitoramento policial, já que o ex-presidente cumpre prisão domiciliar.
“Os médicos orientaram a internação nessa noite. O diafragma dele travou, ficou dez segundos sem reação, sem respiração, o que o fez expelir um vômito a jato“, relatou Flávio.
A equipe médica liderada pelo cirurgião Claudio Birolini, que operou Bolsonaro em abril, foi chamada às pressas para acompanhar a evolução do quadro clínico. A previsão inicial era de que Bolsonaro mantivesse uma dieta líquida e passasse por exames durante a madrugada.
O ex-presidente já havia passado por uma breve internação no último domingo (15), com sintomas semelhantes. Na ocasião, o boletim apontou quadro de anemia e imagem residual de pneumonia, resultado de tomografia. A ida ao hospital havia sido autorizada previamente pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do processo em que Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes.
Na terça-feira, no entanto, o retorno ao hospital foi feito em caráter emergencial, o que dispensa autorização prévia judicial, mas exige comprovação médica em até 24 horas — o que foi feito com envio de atestado ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Impacto emocional
De acordo com aliados próximos, o ex-presidente está emocionalmente abalado desde a sentença do STF. O deputado Evair de Mello (PL-ES) declarou que Bolsonaro já demonstrava sinais de debilidade mesmo antes da prisão domiciliar, com soluços constantes e episódios de vômito, o que comprometia até sua fala.
“Ele dizia poucas palavras, começava o soluço e, na sequência, ia ao banheiro porque tinha vômito“, afirmou o parlamentar.
Os episódios de soluço crônico e vômito estariam relacionados à facada sofrida durante a campanha de 2018, que deixou sequelas permanentes no aparelho digestivo de Bolsonaro.



