Ex-presidente também foi proibido de usar redes sociais, manter contato com outros investigados e se aproximar de diplomatas. Medidas fazem parte do avanço das investigações sobre suposta tentativa de golpe de Estado.
Na manhã desta sexta-feira (18), a Polícia Federal cumpriu mandados judiciais contra o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL). As ordens foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e impõem uma série de medidas cautelares ao ex-mandatário, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e restrições severas de comunicação e circulação.
Segundo fontes próximas à investigação, Bolsonaro também está proibido de:
- Utilizar redes sociais;
- Manter contato com outros réus e investigados no inquérito;
- Se aproximar de embaixadas ou manter contato com embaixadores e diplomatas estrangeiros;
- Circular fora de sua residência entre as 19h e as 7h.Os mandados foram cumpridos na residência de Bolsonaro, em Brasília, e em endereços ligados ao Partido Liberal (PL), legenda à qual ele é filiado.
Entenda o contexto
Essas medidas são um desdobramento das investigações que apuram uma tentativa de golpe de Estado e a articulação para deslegitimar o processo eleitoral de 2022, que resultou na vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Bolsonaro é suspeito de ter incentivado, omitido e até participado de estratégias para reverter o resultado das eleições por vias ilegais.
A operação de hoje é parte da continuidade da chamada “Operação Tempus Veritatis”, deflagrada pela Polícia Federal no início de 2024, que revelou um núcleo de aliados civis e militares envolvidos em tratativas para impedir a posse de Lula, usando discursos antidemocráticos e mobilizando setores das Forças Armadas.
Mensagens, minutas de decretos golpistas, articulações com diplomatas e líderes políticos, além da convocação de manifestações, compõem o vasto material que embasa as investigações.
Reação da defesa
A defesa de Bolsonaro confirmou a operação e informou que ainda está avaliando as medidas. Até o momento, o ex-presidente não foi preso, mas passa a ser submetido a medidas restritivas com fiscalização eletrônica, o que é considerado um avanço significativo no cerco judicial ao ex-chefe do Executivo.
O que vem a seguir
Com o avanço das investigações e a adoção de medidas cautelares, cresce a expectativa de que Bolsonaro possa vir a ser formalmente acusado nos próximos meses. O STF já analisa denúncias relacionadas ao caso, e outros aliados do ex-presidente também estão na mira da Justiça.



