Adriano Ramos detalha irregularidades da AGP Saúde em Paranaguá e reforça suspensão do contrato desde o início de 2025

Em coletiva, prefeito apresentou números e relatórios que apontam falhas e pagamentos irregulares em contratos firmados na gestão anterior com a AGP Saúde

Paranaguá, 21 de outubro de 2025 — O prefeito Adriano Ramos concedeu coletiva de imprensa nesta terça-feira (21) para explicar a situação dos contratos firmados pela gestão anterior (2022–2024) com a AGP Saúde — empresa investigada na Operação Fake Care após a prisão do prefeito de Fazenda Rio Grande em 9 de outubro.

Ramos abriu a fala ressaltando transparência e colaboração com os órgãos de controle:

“Desde o dia 1.º de janeiro de 2025, não pagamos nenhum centavo para a empresa AGP” e “a Prefeitura de Paranaguá não tem nenhum envolvimento com a AGP Saúde na nossa gestão”.

Segundo o prefeito, o contrato foi suspenso logo no início do mandato após “falhas” indicadas pela Vigilância Sanitária, que originaram processo administrativo.

Ramos informou que relatórios e documentos sobre a execução contratual na gestão anterior foram entregues ao TCE-PR e ao MP-PR, em atendimento às solicitações decorrentes da Operação Fake Care, que fiscaliza contratos de oito prefeituras com o mesmo modelo de serviço.

O que a equipe técnica apontou

Na coletiva, o prefeito e a equipe jurídica/técnica apresentaram achados específicos dos contratos herdados, incluindo:

  • Volume de testagens: a AGP informou 91.400 testes entre 2023 e 2024, sendo 78.200 apenas em 2024 — número que corresponderia a mais de 80% da população adulta de Paranaguá.

  • Pessoas falecidas em planilhas: foram identificados lançamentos de testagens em nomes de pessoas já falecidas.

  • Locais e pessoal inadequados: relatos de atendimentos em locais impróprios (como bares e supermercados), sem autorização sanitária e sem supervisão de profissional habilitado.

  • Escalonamento contratual atípico: segundo a Procuradoria, houve acréscimo acumulado de 1.677% em relação ao contrato original, superando o limite legal de 25% para aditivos quantitativos, e salto de ~4,4 mil testes (2022) para 78,2 mil (2024) já após a pandemia.

  • Pagamentos na gestão anterior: na virada de governo, R$ 1,5 milhão foram pagos em 20 de dezembro de 2024, último dia útil do ano, dentro de um total superior a R$ 7,3 milhões somente em 2024; os empenhos somariam mais de R$ 9 milhões entre 2022 e 2024.

Ramos também frisou que os testes oferecidos pela empresa são disponibilizados gratuitamente pelo SUS, questionando a justificativa para os valores pagos na gestão anterior:

“Não havia necessidade de a Prefeitura pagar para uma empresa fazer testes.”

Frases-chave da coletiva (trechos literais)

  • “Desde o dia 1.º de janeiro de 2025, não pagamos nenhum centavo para a empresa AGP.”

  • “Nosso objetivo é esclarecer para a população e para a imprensa que a Prefeitura de Paranaguá não tem nenhum envolvimento com a empresa AGP Saúde [na atual gestão].”

Contexto da Operação Fake Care

O TCE-PR instaurou procedimentos de fiscalização com oito prefeituras para apurar contratações semelhantes às de Fazenda Rio Grande, onde a investigação aponta direcionamento de contratos e desvio de recursos em testes rápidos domiciliares, com apoio do MP-PR.

Próximos passos

Segundo Ramos, Paranaguá colabora integralmente com as apurações e requereu a devolução de valores aos cofres públicos referentes ao que foi identificado na gestão anterior.

Documentos e quadros apresentados na coletiva foram encaminhados ao TCE-PR e ao MP-PR, reforçando o compromisso da atual gestão com a transparência e o controle público.

📍Fonte: Folha do Litoral News (texto e vídeo da coletiva), Correio do Litoral, Bem Paraná; TCE-PR (Operação Fake Care).

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