A VERGONHA DA ELEIÇÃO NA CBF: O FUTEBOL BRASILEIRO REFÉM DE UM SISTEMA ULTRAPASSADO

O que deveria ser uma celebração da democracia no futebol brasileiro, mais uma vez se transformou em um espetáculo lamentável de acordos de bastidores, falta de transparência e completo desrespeito aos verdadeiros protagonistas do esporte: os clubes, os atletas e os torcedores.

Com ausência de 20 clubes, Samir Xaud é eleito presidente da CBF até 2029 em meio a críticas e protestos. O futebol brasileiro segue refém de um sistema que ignora a democracia.

O futebol brasileiro viveu mais um capítulo lamentável da sua história administrativa. Nesta terça-feira (24), Samir Xaud foi eleito presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) com mandato até 2029. O problema? A eleição foi marcada pela ausência de 20 clubes da Série A e B, que decidiram boicotar o pleito em sinal de protesto contra um modelo que há anos ignora princípios básicos de democracia, transparência e representatividade.

A composição do colégio eleitoral da CBF é uma das grandes questões que geram revolta no meio esportivo. As federações estaduais, muitas delas sem a mínima estrutura ou relevância no cenário nacional, possuem peso de voto muito superior aos clubes, que são, de fato, os responsáveis por gerar audiência, movimentar bilhões e carregar nas costas a paixão de milhões de torcedores.

Não é de hoje que a entidade máxima do futebol brasileiro vive imersa em polêmicas, escândalos e sucessões questionáveis. A saída de Ednaldo Rodrigues, que abriu espaço para a eleição de Samir Xaud, também não ocorreu de forma natural, e sim em meio a disputas judiciais e fortes articulações nos bastidores.

O novo presidente assume cercado de desconfiança e já começa seu mandato sob a sombra de uma crise institucional. Afinal, que legitimidade possui uma eleição realizada sem a participação da maioria dos principais clubes do país?

Enquanto isso, os verdadeiros protagonistas do espetáculo – jogadores, clubes e torcedores – continuam sendo apenas coadjuvantes no processo de decisão. O futebol brasileiro, que encanta o mundo dentro das quatro linhas, segue sendo comandado fora delas por um sistema ultrapassado, centralizador e completamente desalinhado das boas práticas de governança que regem o esporte em países desenvolvidos.

A pergunta que ecoa nos corredores dos clubes, nas arquibancadas e nas mesas de debate é simples, porém urgente: até quando?

O futebol brasileiro precisa, mais do que nunca, de uma reforma profunda em sua estrutura de governança. A CBF precisa abrir suas portas para a transparência, para a participação efetiva dos clubes e para a modernização de seus processos. Chega de ciclos viciosos, de eleições feitas a portas fechadas e de gestões que priorizam interesses pessoais em detrimento do desenvolvimento do futebol nacional.

Se dentro de campo buscamos renovar, inovar e buscar o protagonismo mundial, fora dele seguimos parados no tempo. E isso, definitivamente, não combina com o tamanho do futebol brasileiro.

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